
Agricultura Familiar
A agricultura familiar é realizada por uma família que trabalha na terra com todos ou parte de seus membros, para gerar produtos agrícolas alimentares, seja para sua sobrevivência, seja venda ou troca. Além da agricultura a família pode ter outras fontes de sustento, tais como o extrativismo, a pesca, o artesanato, a pecuária, a criação de pequenos animais, etc. Geralmente, a família a propriedade não excede 6 módulos fiscais e eventualmente pode contratar mão-de-obra para atividades de plantio, colheita e etc. Na produção familiar, quem toma as decisões de produção é a própria família, organizando suas atividades de acordo com os recursos humanos, ambientais e econômicos. A agricultura familiar caracteriza-se também por toda uma rede de relações comunitárias e organização cultural que variam muito de região para região do país.
É impossível pensar um projeto nacional de crescimento sustentável sem considerar o enorme potencial da agricultura familiar, não só pela sua expressão econômica, mas também por sua dimensão social, cultural e ambiental. São mais de 4,1 milhões de estabelecimentos familiares ou o equivalente a 84% dos imóveis rurais do País. De cada dez trabalhadores do campo, cerca de oito estão ocupados em atividades familiares. Quase 40% do Valor Bruto da Produção Agropecuária vêm da agricultura familiar, valor que deve alcançar cerca de R$ 57 bilhões este ano. Parte significativa dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros é produzida pelos agricultores familiares. Quase 70% do feijão consumido pelo País, alimento básico do prato da população, vêm desse tipo de produção rural. Vêm daí também 84% da mandioca, 58% da produção de suínos, 54% da bovinocultura de leite, 49% do milho e 40% de aves e ovos.
A agricultura familiar também vem registrando o maior aumento de produtividade no campo nos últimos anos. Na década de 90, foi o segmento que mais cresceu. Entre 1989 e 1999, a produção agrícola familiar aumentou em 3,79% ao ano. O bom desempenho ocorreu mesmo em condições adversas para o setor que, no período, sofreu uma queda de 4,74% ao ano nos preços recebidos pelos produtores.