Audiência pública na Assembleia discutiu a Comenda Padre Pigi e colocou em pauta a moradia digna, a população em situação de rua e a realidade das famílias do campo
A audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para discutir a criação da Comenda Padre Pigi reuniu representantes da Igreja, movimentos populares e organizações que atuam na defesa da moradia e dos direitos da população em situação de rua.
De autoria do deputado estadual Leleco Pimentel, o Projeto de Resolução nº 133/2026 propõe a criação da Comenda para reconhecer pessoas e organizações que tenham prestado relevantes serviços à promoção do direito à moradia digna. A audiência ampliou o sentido da proposta ao recuperar a dimensão social e política da trajetória de Padre Pigi.
Para Padre João (PT-MG), a importância da Comenda está também na capacidade de manter vivos os valores defendidos por Padre Pigi, “enraizando em mentes e corações” sua memória e sua atuação. O deputado destacou ainda a importância da articulação entre os espaços político e religioso na defesa dos direitos sociais. :
Padre João chamou atenção para uma dimensão muitas vezes esquecida no debate habitacional: a moradia no campo. Segundo ele, famílias inteiras de municípios mineiros estão sendo ameaçadas pela mineração, o que exige atenção do poder público e políticas que garantam permanência, segurança e dignidade às comunidades rurais.
O debate também revelou a urgência da situação nas cidades. Maria Cristina Bove Roletti lembrou que a população em situação de rua não está nessa condição por escolha, mas pela falta de um teto, enquanto existem milhares de imóveis vazios no Centro de Belo Horizonte.

Leleco Pimentel reforçou essa perspectiva ao afirmar que “moradia é a porta de entrada para todos os direitos”, relacionando o direito à habitação à necessidade de políticas públicas efetivas.
Encaminhamentos
1. Abrir o Projeto de Resolução nº 133/2026 para consulta popular.
2. Convocar uma nova audiência pública para debater especificamente a situação da população em situação de rua.
Os encaminhamentos ajudam a dar consequência prática ao debate: a proposta de homenagem será submetida à participação da sociedade e a situação da população em situação de rua continuará sendo discutida no Legislativo mineiro.
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Imagens: Luiz Santana/ALMG
Vozes da audiência
“Moradia é a porta de entrada para todos os direitos.”
Leleco Pimentel — deputado estadual
“Casa precisa de terra. Não existe casa no ar.”
Frei Gilvander — assessor da Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais
“Moradia não é mercadoria, não é favor, é um direito previsto na Constituição.”
Karla Monteiro França — assessora do VEASPAM
“A morte das pessoas só se dá quando elas são esquecidas.”
Cleiton Henriques — Coordenação da Associação Coletiva
“Padre Pigi não pensava nele, sempre pensava no próximo.”
Carlos Alberto Santos da Silva (Carlão) — coordenador-geral da Pastoral Metropolitana dos Sem Casa
“Morador em situação de rua não está ali porque não quer. Está ali por falta de um teto.”
Maria Cristina Bove Roletti — Equipe de Coordenação Nacional do Povo da Rua
Participantes
Leleco Pimentel — Deputado estadual
Padre João — Deputado federal
Padre Roberto Rubens da Silva — Vigário Episcopal do VEASPAM
Maria Cristina Bove Roletti — Equipe de Coordenação Nacional do Povo da Rua
Frei Gilvander — Assessor da Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais
Maria das Graças Nascimento — Centro de Saúde Providência / CLAS Providência / CORAS Norte
Cleiton Henriques — Coordenação da Associação Coletiva
Padre Cássio Ferreira Borges — Paróquia Maria, Mãe dos Pobres/Betim
Karla Monteiro França — Assessora do VEASPAM
Carlos Alberto Santos da Silva (Carlão) — Coordenador-geral da Pastoral Metropolitana dos Sem Casa





