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Padre João repudia ação judicial em Uberaba/MG e trabalho escravo em Uberlândia/MG

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O deputado federal Padre João (PT/MG) participou da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta quarta-feira, 30, em Uberaba/MG. O objetivo da reunião foi discutir a intervenção do Poder Judiciário que impediu, no último dia 16, que a reintegração de posse da fazenda Inhumas, situada naquele município, pudesse ser debatida em reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.

Como deliberação da audiência, ficou decido que a CDH deve enviar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedido de representação contra o juiz da 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Uberaba (Triângulo).

No dia 16, violando dispositivos constitucionais, com repercussão sobre direitos humanos, o juiz federal protocolou medida liminar e impediu que os graves conflitos que vêm ocorrendo na fazenda Inhumas pudessem ser debatidos. A área, de 890 hectares, já foi vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que a decretou improdutiva e, portanto, sujeita à desapropriação para reforma agrária.

Durante a reunião, representantes de promotorias, da Defensoria Pública, da Ordem dos Advogados do Brasil, das polícias Civil e Militar, do Incra e da Pastoral da Terra rechaçaram a postura do juiz, que teria interferido em um direito constitucional, o de reunião.

Conflito

Na noite do dia 17 de abril, cerca de 80 famílias ocuparam a fazenda Inhumas, montando um acampamento. No início do dia seguinte, jagunços e policiais militares despejaram as famílias, levando-as para a Praça Pio XII, bairro Gameleira, em frente à Igreja São José.

Nos dois primeiros dias, os acampados puderam utilizar as dependências da igreja para usar os banheiros e chuveiros, mas após o segundo dia foram impedidos de entrar.

Foram nove dias de acampamento precário na praça, sem acesso a higiene e condições mínimas de repouso. Apenas após a chuva, a polícia permitiu que as barracas de lona fossem levantadas para proteger os manifestantes.

A CDH da ALMG encaminhará também representação à Corregedoria da PM contra a Polícia Militar, por promover a reintegração de posse sem ordem judicial.

Fiscalização

O deputado federal Padre João tem acompanhado os conflitos que vêm ocorrendo no triângulo mineiro. Ele esteve no dia 16 de maio com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados em Uberlândia/MG, para apurar a execução de três líderes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), no final do mês de março, em uma emboscada.

Trabalho escravo

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Em Uberaba, Padre João se encontrou com três trabalhadores rurais que foram encontrados em trabalho de escravidão na fazenda Inhumas, situada em Uberlândia. Eles foram levados até o deputado pela professora de Direito da Universidade Federal de Uberlândia e advogada do MLST, Neiva Flávia de Oliveira.

Cícero de Carvalho (o “baiano”), de 73 anos; Pedro José da Silva, 48, e seu filho Pedro Henrique Souza foram achados por integrantes do MLST que ocuparam a referida fazenda. Segundo relatos, o mais velho trabalha há 20 anos sem salário, mora em um casebre sem luz, água e instalação sanitária. A alimentação só é possível graças ao Movimento. Cícero está doente e, como se não bastasse, é ameaçado pelo fazendeiro Milton Pereira Sudário.

Representações

A assessoria de Padre João protocolou ofícios com as denúncias nesta quinta-feira, 31, no Ministério do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para que as devidas providências sejam tomadas.

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