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Padre João continua a luta em defesa dos índios Guarani-Kaiowá

Padre João fala em defesa dos indígenas
Padre João fala em defesa dos indígenas

 

Decisão de um juiz federal da 1ª Vara Federal em Naviraí (MS) garante a manutenção da posse das terras em favor dos índios Guarani-Kaiowá. Porém, a deliberação do magistrado (ocorrida nessa quinta-feira, 25), não garante a posse da área para os 100 adultos e 70 crianças guarani kaiowás que há quase um ano a ocupam. “Os indígenas merecem ter a posse destas terras, pois têm uma relação visceral com a natureza e com o solo onde vivem. E não somente este direito paliativo de nela ficarem. Afinal, a ameaça de morte coletiva é uma realidade. Vamos conversar sobre isso em reunião entre eles e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal no próximo dia 30. E também na reunião no dia seguinte, quando todos seremos recebidos pelo Governo”, informou Padre João. A medida de manutenção dos índios nas terras da fazenda em Iguatemi vale pelo menos até que a real situação da propriedade seja esclarecida.

O deputado Padre João relembra que o próprio Ministério Público Federal já afirmou que a área ocupada faz parte de uma reserva de mata nativa, e que, portanto, não pode ser explorada economicamente e está sendo estudada por antropólogos da Funai que, em breve, devem divulgar suas conclusões. O parlamentar tem sido um dos principais articuladores em defesa da vida dos Guarani-Kaiowá, que vêm sofrendo perseguições de jagunços e estão psicologicamente debilitados: “Os números de assassinatos e suicídios na tribo nos últimos anos são alarmantes.”

Padre João encaminhou nesta semana ofícios à Funai, ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos solicitando providências para salvaguardar a vida deste povo. “É um absurdo a coação pela qual estão passando estes seres humanos. Além de serem brutalmente assassinados por jagunços e pistoleiros, calcula-se que ao menos um indígena se suicida por semana em Mato Grosso do Sul. A Funai e a Força Nacional já estiveram no local, mas isto fez com que os ataques se intensificassem. É urgente uma solução em defesa destas vidas”, indignou-se.

Ato na UFMG

Nesta sexta-feira, 26, o parlamentar participou de um debate na Universidade Federal do Estado de Minas Gerais (UFMG) sobre a violação de direitos aos Guarani-Kaiowá. O tema do encontro reforça a tragédia que está para se instalar: “Povos indígenas e desenvolvimento: o genocídio no Mato Grosso do Sul”. E é exatamente o genocídio, ou seja, a “Exterminação de uma comunidade de indivíduos em pouco tempo” o que está prestes a ocorrer. Basta voltar o olhar para o texto endereçado pelos indígenas ao governo e à Justiça brasileira, no qual falam da possibilidade de “morte coletiva”. Ressaltam que, após anos de luta, já perderam a esperança de sobreviver “dignamente e sem violência”.

OFÍCIOS ENCAMINHADOS POR PADRE JOÃO:

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