
O deputado Federal Padre João assessorou o eixo temático sobre Saúde e Segurança Alimentar no VI Fórum Social pela Vida da Arquidiocese de Mariana, realizado em Conselheiro Lafaiete, entre os dias 27 e 30 de outubro de 2016. Mais de 700 pessoas de diversas paróquias estiveram presentes e refletiram sobre o tema: “Cuidar da Casa Comum, Nossa Missão” e o lema: “por uma economia e por uma política a serviço da vida.” Ao todo, foram seis eixos temáticos.
O eixo saúde e segurança alimentar estava sob Coordenação da Comissão Justiça e Paz na pessoa de Sheila Forza e foi divido em cinco grupos de trabalho: Participação Popular em Defesa do SUS; Segurança Alimentar e Combate aos Agrotóxicos; Difusão da Agroecologia; Fortalecimento da Agricultura Familiar e Acesso a Terra; Saúde Preventiva e Acesso às Terapias Naturais.
Os debates giraram em torno da precarização intencional do SUS – Sistema Único de Saúde, como estratégia para privatizá-lo e na cadeia produtiva alimentos, contaminados por agrotóxicos. As mesmas empresas produzem a doença e depois vendem o remédio na tentativa de curá-la. É o lucro pelo lucro, destruindo a vida das pessoas e do planeta, numa lógica mercantilista e cruel.
Padre João como presidente da Frente Parlamentar da Segurança Alimentar e Nutricional destacou os avanços do país na superação da fome, da miséria, garantindo a segurança alimentar para milhões de famílias brasileiras. O Brasil se tornou referência mundial no combate à fome.
“Precisamos agora garantir a qualidade dos alimentos. Temos que abandonar este modelo suicida do agronegócio. O veneno mata. Agrotóxico é veneno. Temos que cuidar de nossa mãe terra e produzir alimentos saudáveis, através da agroecologia. Isto é vida, é saúde,” definiu Padre João.
A história e luta de Padre João sempre foi em defesa da vida, da segurança alimentar. Participou da criação dos primeiros conselhos de segurança alimentar em Minas e na Arquidiocese de Mariana. Assim foi sua luta na promoção da dignidade das famílias do Bairro São Francisco em Ouro Branco, onde foi pároco. Por sua iniciativa, o Primeiro Fórum Social pela Vida da Arquidiocese foi realizado em Ouro Branco, em 2001, com o tema: “A fé sem obras é morta.”
“A luta continua. O sonho não acabou. É muito bom estarmos aqui, no VI Fórum. Em todos eles foram discutidos temas importantes para nossas vidas. Agora é colocar em prática tudo que aprendemos e ouvimos. A mãe terra não aguenta mais. Temos que mudar nossos hábitos, converter,” afirma Padre João.
Confira a carta compromisso do Fórum: clique aqui
Na esteira dos Fóruns anteriores, assumimos os seguintes compromissos:
1. Estado do Bem-viver
Construir o Estado do Bem Viver a serviço da vida humana e da Comunidade de Vida composta por todos os seres, na sua diversidade: socialmente inclusivo, justo, equitativo e igualitário; politicamente ético e democrático, pautado por instrumentos de democracia direta; ecologicamente promotor da sustentabilidade e da economia popular e solidária.
2. Saúde e Segurança Alimentar
Denunciar e repudiar a indústria da doença e a lógica do agronegócio, comprometendo-nos com a promoção da saúde humana e planetária, incentivando: o resgate e valorização do saber popular e tradicional; o desenvolvimento da agroecologia e suas redes de consumo; as práticas terapêuticas tradicionais de saúde; a soberania e segurança alimentar; a participação na “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”.
3. Justiça restaurativa
Divulgar e nos capacitar à prática da justiça restaurativa nas famílias, nos diversos serviços eclesiais; fomentar práticas restaurativas na sociedade civil, para a construção de uma Cultura de Paz, propondo: trazer para a Arquidiocese a Escola de Perdão e Reconciliação (ES.PE.RE); ampliar os trabalhos da Escola de Cidadania e do Fórum Intermunicipal de Políticas Públicas; mapear e divulgar os Índices de Vulnerabilidade Social (IVS) nos municípios da Arquidiocese; promover um trabalho mais articulado entre os diversos serviços de atenção aos dependentes químicos e suas famílias; apoiar efetivamente os trabalhos das Comunidades Terapêuticas (CT’S).
4. Água, minério e energia para a soberania
Popularizar a encíclica Laudato Si, através de meios eficazes com foco na mudança da estrutura da sociedade a partir das/os oprimidas/os, assumindo os desafios da origem histórica da Arquidiocese de Mariana implicada na “Corrida do Ouro”. Diante disso, desenvolver ações concretas junto aos/as indígenas, aos/as afrodescendentes, à classe trabalhadora, principalmente aos/as operários, aos/as que produzem alimentos saudáveis, aos/as que protegem o ambiente e aos/as que contribuem na organização do povo, no campo e na cidade, como parte integrante do processo de evangelização.
5. Dignidade humana
Intensificar ações eclesiais e extra-eclesiais na defesa da igualdade entre mulher e homem, bem como promover os direitos humanos combatendo o racismo, o preconceito, o extermínio da juventude e a violência contra as mulheres; tornar nossa Arquidiocese aberta ao diálogo ecumênico e inter-religioso, fazendo-se presente nas estruturas de participação popular, como os Conselhos Municipais, a fim de garantir a elaboração de políticas públicas capazes de assegurar a dignidade de toda pessoa humana.
6. Metodologias populares
Trabalhar juntos: trocando experiências e formações; contribuindo com o desenvolvimento e organização da sociedade brasileira, especialmente nos municípios que compõem a Arquidiocese de Mariana; combatendo o capitalismo; criando espaços alternativos de economia solidária, práticas ambientalmente sustentáveis e socialmente justas, educação libertadora e participativa; fazendo com que a responsabilidade de construir e sustentar a casa comum seja de todos nós.
Manifestamos nossa gratidão aos leigos e leigas, às paróquias, aos padres, às famílias acolhedoras, ao Colégio Nossa Senhora de Nazaré e às comunidades de Conselheiro Lafaiete que assumiram com ardor e alegria nosso Fórum, bem como às equipes e grupos que se organizaram para a realização desta Celebração do Povo de Deus e aos 700 participantes que se dispõem a escrever mais este capítulo da evangelização de nossa Arquidiocese.
Nossa Senhora da Assunção e São José, padroeiros de nossa querida Arquidiocese, alcancem de Jesus, rosto misericordioso do Pai, a luz e a sabedoria de que necessitaremos para viver os compromissos assumidos neste 6º Fórum Social pela Vida.
Conselheiro Lafaiete, 30 de outubro de 2016.




