
“Pau que bate em Chico bate em Francisco”. Esse ditado popular é bem conhecido dos brasileiros e remete à necessidade de igualdade e imparcialidade na avaliação de determinado fato ou agente envolvido. Mas em relação à apuração de denúncias de corrupção e irregularidades, a Justiça no Brasil usa de dois pesos, duas medidas. Essa foi a crítica levantada pelo deputado federal Padre João esta semana em discurso na tribuna da Câmara. O parlamentar questionou a seletividade da atuação de setores da Polícia Federal (PF), de setores Ministério Público (MP) e de setores poder judiciário, que são incansáveis na apuração de denúncias relacionadas a determinados partidos, mas ignoram fatos concretos relacionados a outros.
De acordo com o deputado, a parcialidade desses órgãos põe em xeque a credibilidade e a legitimidade das investigações. “Recentemente foi encontrada em uma aeronave 430 quilos de pasta de cocaína. Ninguém sabe de quem é a droga. Não há apuração. Ninguém foi preso. Em novembro de 2013, no caso do helicóptero dos Perrella, foi encontrada meia tonelada de pasta de cocaína. Mais uma vez ninguém foi preso. É uma situação absurda! Essa aeronave já esteve em Cláudio, cidade em que o então governador de Minas, Aécio Neves, construiu um aeroporto, nas terras do tio dele. E teve ainda outro aeroporto construído nas terras do pai, em Montezuma. Tudo isso com dinheiro público. Onde está o Ministério Público Federal, setores da Polícia Federal? Onde está o Judiciário? E as citações na Lava-Jato relacionadas à construção da Cidade Administrativa? O mundo inteiro enxerga essa seletividade na apuração. Isso desmoraliza a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário”, criticou Padre João.
Vamos relembrar?
2010:
foi concluído com dinheiro público o aeroporto na cidade de Cláudio, com o custo de R$ 14 milhões. O então governador Aécio Neves determinou a construção do aeroporto próximo a fazendas que pertencem a sua família.
Situação: em 2015 o MPMG pediu o arquivamento da investigação;
24 de novembro de 2013:
PF apreendeu 450 quilos de pasta base de cocaína dentro de um helicóptero perto da cidade de Afonso Cláudio, Espírito Santo. A aeronave pertencia ao deputado Gustavo Perrella, filho do senador e ex-presidente do Cruzeiro Zezé Perrella, ambos aliados políticos do senador Aécio Neves.
Situação: ninguém foi preso;
2016:
Aécio Neves se torna o recordista de citações na Lava-Jato.
Situação: nenhum inquérito foi adiante;
2 de fevereiro de 2017:
Aécio é apontado como membro do esquema de fraude em licitação envolvendo propina para a construção da Cidade Administrativa, quando era governador de Minas.
Situação: inquérito foi adiante
15 de fevereiro de 2017:
PF e PM apreenderam uma aeronave com 430 quilos de cocaína na cidade de Pará de Minas.
Situação: ninguém sabe a origem da droga. Ninguém foi preso.




